Massa Crítica quer bicicletas na capital
Quando de manhã Frederico sai de sua casa, na Mouraria, em Lisboa, e pega na bicicleta para ir até ao Parque das Nações, onde trabalha, já sabe que deverá demorar cerca de 50 minutos a fazer o trajecto. O percurso é o mais longo, mas também o menos acidentado, para que possa chegar ao emprego, quase sem transpirar.
Frederico é um dos vários participantes do movimento Massa Crítica de Lisboa, que ontem se reuniram numa tertúlia, para a apresentação do movimento e para debater a viabilidade da utilização da bicicleta e de outros meios de transporte não motorizados na capital. O encontro contou com a presença de muitos interessados, que após a apresentação da Massa Crítica colocaram as suas questões.
O movimento – que nasceu em S. Francisco, nos Estado Unidos da América, em 1992 – surgiu em Lisboa há cerca de três anos e conta com cerca de 140 entusiastas. Todas as últimas sextas-feiras do mês, os participantes (e também os que não são, mas queiram aderir), reúnem-se junto ao Marquês de Pombal, para um passeio pela cidade. O percurso é definido na altura e os veículos pedem ser bicicletas ou trotinetas, passando pelos patins. Ou seja, todos aqueles que não sejam poluentes.
Luís Mota explicou, ao JN, que a intenção do movimento que integra, é chamar a atenção dos responsáveis para o uso da bicicleta. "O nosso objectivo é combater a ideia que se instalou que tem de se andar de automóvel", afirmou. "Pretendemos que a utilização da bicicleta seja vista de uma forma prática. Estamos muito dependentes do petróleo e é necessário reduzir essa dependência", argumenta.
"A utilização regular da bicicleta iria ajudar a descongestionar o trânsito e é muito mais saudável", garantiu, Luís Mota, um dos intervenientes na tertúlia de ontem, onde foi apresentado o Trajecto Farol.
"O Trajecto Farol permitiria dar mais visibilidade à bicicleta. A ideia é a criação de um percurso, do Lumiar ao Terreiro do Paço (o mais central possível), para ser utilizado por quem usa este meio de transporte", explicou, dizendo ainda que este trajecto ainda está a ser estudado. «Ainda estamos a olhar para ele», admitiu.
Mónica Costa